A indústria dos supercarros tem assistido a um ressurgimento pontual de transmissões com pedal de embraiagem em edições especiais, mas a Lamborghini não tenciona juntar-se à tendência.
Numa entrevista concedida à publicação norte-americana CarBuzz durante a Monterey Car Week, o presidente executivo da marca italiana, Stephan Winkelmann, foi categórico ao afastar qualquer plano para o regresso da alavanca em grelha metálica ao catálogo do construtor de Sant'Agata Bolognese.
Questionado sobre a possibilidade de responder ao interesse renovado por caixas manuais no segmento de luxo, Winkelmann esclareceu que o projeto não consta da agenda da empresa. "Para mim, isto não está na nossa lista de prioridades, porque temos muitos projetos em curso", afirmou o responsável ao CarBuzz, acrescentando que este tipo de transmissão "destina-se quase exclusivamente a peças de coleção e, hoje em dia, não temos quaisquer planos para avançar nesse sentido".
A tomada de posição surge num momento em que a rival histórica Ferrari decidiu explorar um caminho alternativo para cativar os puristas. Com o lançamento do 12Cilindri Manuale, a marca de Maranello introduziu o sistema Manuale By-Wire: uma arquitetura inovadora que recria a experiência táctil de uma caixa manual tradicional — com alavanca em "H", grelha aberta e terceiro pedal com resistência mecânica realista —, mas sem ligação física aos órgãos de transmissão. Na prática, a gestão da força motriz continua a cargo da caixa de dupla embraiagem (DCT) de oito velocidades, operada por atuadores eletrónicos e sensores angulares.
Apesar da repercussão técnica da solução da Ferrari, a Lamborghini rejeita replicar o conceito, quer sob a forma mecânica pura, quer através de emulação digital.
A recusa assenta tanto em princípios de filosofia dinâmica como em constrangimentos de engenharia. Com a eletrificação total da sua gama desportiva — assente no V12 híbrido plug-in do Revuelto e no novo V8 biturbo do Temerario —, o túnel central que antes acolhia os varões e ligações mecânicas da caixa está agora integralmente ocupado pelas baterias de alta tensão.
A estratégia técnica da marca do touro continua, assim, focada na extração do máximo rendimento através de transmissões automáticas de dupla embraiagem integradas com motores elétricos de fluxo axial, canalizando os recursos de desenvolvimento para variantes ainda mais radicais da sua nova geração de superdesportivos.

