O setor automóvel na União Europeia continua em retração em 2026 e já lá vão três anos consecutivos de quedas. Em 2026 a contração da produção será da ordem dos 0,6%, segundo os analistas do segurador Crédito y Caución. Para 2027 é possível que recupere 1,2%, o que é considerado modesto em face ao que aconteceu nos últimos anos.
A justificação para as performances negativas desta indústria que tem a Alemanha, a França, a Itália e Espanha como os grandes protagonistas, esta nas taxas tarifárias, na transição desigual para os veículos elétricos e, sobretudo na fraca confiança dos consumidores. Os fabricantes europeus estão ainda expostos às turbulências geopolíticas e um dos exemplos recentes, que depois até acabou bem, foi o anúncio da China de que iria impor controlos às exportações de terras raras, o que iria afetar a indústria de carros elétricos. O governo chinês depois recuou.
A confiança dos consumidores é, no entanto, a grande justificação para a quebra das vendas na União Europeia e isso acontece porque as famílias estão com menos poder de compra devido à inflação que, por sua vez, tem parcialmente justificação no aumento do preço da energia devido ao conflito no Médio Oriente.
A perda de competitividade ao nível da produção de veículos elétricos é o resultado de todos os fatores apontados e deixa espaço a ocupar pelos fabricantes chineses, os quais beneficiam de ajudas de Estado, mas também da rápida capacidade em introduzirem inovações e lançarem modelos cada vez mais sofisticados e em curtos períodos de tempo.
O mercado europeu vai continuar a crescer ao nível dos elétricos e eletrificados que representarão 59% das vendas em 2030, segundo a Crédito y Caución. Na nota do início de setembro, o segurador estima que fabricantes de motores a combustão europeus poderão “desaparecer” se não se adaptarem, ou seja, terão de substituir os investimentos em motores a combustão por investimentos na eletrificação. Para os fabricantes europeus o resultado é a redução de margens nas vendas e insolvências. Os fabricantes alemães anunciaram fortes cortes de custos, incluindo dezenas de milhar de empregos, com o objetivo de se manterem competitivos. A banca está a recusar financiar fornecedores do setor automóvel por não acreditar no futuro da atual indústria. A solução vai passar por políticas públicas de incentivo à compra de elétricos com base no objetivo de redução de emissões poluentes, concluem os analistas.

