Chevrolet abandona vendas na China após colapso de 99% e converte fábricas em polo de exportação

Chevrolet abandona vendas na China após colapso de 99% e converte fábricas em polo de exportação

A General Motors encerra a venda direta da marca no maior mercado do mundo após duas décadas, reorientando a produção local para mercados emergentes e apostando na Buick e Cadillac.
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A General Motors (GM) oficializou o fim das operações de retalho da Chevrolet na China continental, encerrando um ciclo de 21 anos de presença direta no maior mercado automóvel do mundo.

A decisão surge na sequência de um colapso sem precedentes nas vendas da marca norte-americana, que caíram cerca de 99% ao longo da última década. Em 2014, no pico da sua popularidade no país, a Chevrolet registou mais de 767 mil automóveis entregues num único ano. Mas em 2025, o volume afundou para menos de nove mil unidades, tornando insustentável a manutenção da rede comercial e dos pontos de venda locais.

A derrocada da Chevrolet em solo chinês reflete a velocidade avassaladora com que o mercado automóvel local se transformou em direção aos chamados Veículos de Nova Energia (NEV, na sigla inglesa), classificação que abrange os modelos 100% elétricos e os híbridos plug-in. Enquanto os construtores locais, liderados por gigantes como a BYD e a Geely, dominaram a transição tecnológica com propostas acessíveis e fortemente focadas em software e conetividade, a gama da Chevrolet permaneceu excessivamente dependente de motorizações tradicionais a combustão, através de modelos como o Malibu XL, Equinox, Blazer e Monza. Um desfasamento em relação às exigências do consumidor chinês que acelerou a perda de relevância da marca junto do público.

Apesar da retirada completa do canal de retalho doméstico, a multinacional de Detroit não vai encerrar o seu dispositivo industrial no país. No âmbito da parceria com a estatal chinesa SAIC — cuja joint-venture SAIC-GM foi recentemente renovada com validade estendida até 2047 —, as fábricas instaladas em solo chinês serão convertidas num hub estratégico de exportação global. Os veículos ali fabricados continuarão a ostentar o logótipo da Chevrolet, mas terão como destino exclusivo os mercados emergentes da América do Sul, México, Médio Oriente, África e Sudeste Asiático, tirando partido dos custos de produção e da eficiência da cadeia de abastecimento local.

Para o mercado interno chinês, a estratégia da General Motors passa a focar-se no reforço das suas insígnias de posicionamento superior, a Buick e a Cadillac, que mantêm um nível de reconhecimento de marca e de quota de mercado consideravelmente mais sólido. A SAIC-GM prevê lançar pelo menos 30 novos modelos elétricos ou eletrificados até ao final da década, alavancando o sucesso recente demonstrado pela gama Buick Electra.

O grupo assegurou ainda, em comunicado oficial, que a assistência técnica, a garantia e o fornecimento de peças de reposição para os mais de 7,5 milhões de proprietários de automóveis Chevrolet em circulação na China continuarão a ser integralmente garantidos pela estrutura da joint-venture.

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