O programa de testes para a introdução de uma nova geração de câmaras de fiscalização rodoviária dotadas de Inteligência Artificial já se encontra em marcha na Escócia, em grandes centros urbanos como Glasgow e Edimburgo.
A iniciativa, promovida pela agência pública Transport Scotland, estende-se a 12 localizações estratégicas em todo o território escocês, abrangendo tanto eixos viários urbanos como estradas rurais e vias rápidas. Ao contrário dos sistemas de controlo tradicionais, concebidos essencialmente para a medição da velocidade de circulação instantânea, estes novos equipamentos possuem a capacidade de analisar em tempo real o comportamento dos ocupantes "vistos" através do para-brisas.
A implementação desta tecnologia surge como resposta, dizem as autoridades, aos elevados índices de sinistralidade associados aos chamados comportamentos de risco. Isto porque dados oficiais do organismo de transportes escocês indicam que cerca de um quarto das vítimas mortais registadas nas estradas do país não utilizava cinto de segurança no momento do acidente. Os serviços do governo local também estimam que, em cerca de 4,7 milhões de deslocações diárias efetuadas a nível nacional, dezenas de milhares de condutores continuem a manusear dispositivos móveis ao volante -- uma infração que multiplica o risco de colisão.
O objetivo das autoridades passa por acelerar o cumprimento da meta de segurança rodoviária que visa posicionar a Escócia entre os territórios com menor taxa de mortalidade nas estradas até ao final da década.
Como funciona a IA nestas câmaras?
Do ponto de vista técnico, a eficácia do sistema assenta numa combinação sofisticada de hardware ótico e algoritmos de visão por computador. As câmaras estão equipadas com sensores de alta resolução, obturadores de velocidade extrema e iluminadores de luz infravermelha próxima, uma frequência invisível ao olho humano que não causa encadeamento aos condutores. Este feixe luminoso penetra a reflexão natural do vidro do para-brisas e anula os efeitos de encandeamento solar, chuva ou escuridão noturna.
As imagens captadas são processadas em milissegundos por redes neuronais convolucionais dedicadas a mapear a imagem o habitáculo. O software segmenta a posição do condutor, avalia o traçado e a continuidade da fita do cinto de segurança sobre o tórax e analisa a geometria das mãos e braços, identificando com precisão a presença de objetos retangulares junto ao rosto ou no colo do operador do veículo.
Sempre que o algoritmo deteta uma anomalia nas formas, atribui ao registo uma pontuação de confiança com base na probabilidade de se tratar de uma infração.
De acordo com os dados divulgados à imprensa pela Transport Scotland, a salvaguarda da privacidade e o cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados foram integrados na própria arquitetura do equipamento através de sistemas de processamento local. Todas as imagens em que o condutor cumpra a legislação são eliminadas de forma imediata da memória temporária da câmara, sem que se qualquer armazenamento seja centralizado ou haja transmissão para servidores externos.
Apenas nos casos em que é assinalada uma infração provável é que as imagens são guardadas, mas aí o software aplica um mascaramento automático sobre as faces dos restantes passageiros e de eventuais peões, dizem. É esta a informação que é transmitida, de forma encriptada, para validação humana, dependendo deste passo qualquer coima ou notificação que possa ser emitida.

