O regresso da Fórmula 1 à capital espanhola, 45 anos depois, coroou Andrea Kimi Antonelli como grande vencedor. No novo circuito urbano de Madrid, com 5,4 quilómetros de extensão, o piloto italiano da Mercedes tirou partido das contingências da corrida e de erros alheios para somar a segunda vitória consecutiva na temporada, logo após o triunfo no Grande Prémio de Itália.
A prova ficou definida nos momentos de neutralização. Lando Norris (McLaren), que partiu da "pole position", parecia ter a corrida controlada até à ativação de um "Virtual Safety Car" (VSC) provocado pela saída de Lance Stroll.
Numa decisão estratégica que se revelou bem penalizadora, a equipa britânica optou por não chamar Norris às boxes de imediato, perdendo a oportunidade de parar com menor perda de tempo.
Quando Norris entrou nas boxes, o VSC estava a terminar, pelo que a paragem foi feita já sob corrida normalizada. Com isto, o então líder caiu para quinto lugar.
Quem aproveitou na perfeição foi Antonelli, que mergulhou nas boxes no momento exato, ganhando a liderança. Na entrevista logo depois do fim da corrida, o jovem italiano admitiu que "foi uma corrida muito difícil" devido à gestão dos pneus, reconhecendo ainda o infortúnio do seu adversário ao confessar que a vitória "não sabe tão bem" porque considerou que Norris merecia ter vencido.
Depois de admitir via rádio que teve "sorte com o safety car", o piloto da Mercedes conseguiu gerir o ritmo de forma inteligente até à bandeira de xadrez.
Max Verstappen (Red Bull) fez uma corrida calculista e aproveitou as falhas estratégicas diretas para garantir o segundo lugar. Com Norris a recuperar terreno nas voltas finais, o neerlandês descreveu o seu resultado como "incrível" face ao ritmo superior da McLaren. Verstappen frisou que "aqui não dá para passar", o que lhe permitiu defender a posição num traçado que considerou bastante desafiante.
Para Lando Norris, o terceiro lugar final soube a pouco, mas o piloto da McLaren aceitou as contingências da prova, referindo que "não havia nada" que pudesse fazer para evitar o desfecho. Ao dar os parabéns aos adversários pela boa corrida, o britânico lamentou que a sorte não tenha estado do lado da McLaren, mas preferiu deixar uma palavra de incentivo à equipa, assegurando que continuam a fazer "um trabalho incrível" e que "mais vitórias são possíveis" no futuro.
Charles Leclerc (Ferrari) também tentou uma tática alternativa, liderando a prova após adiar a paragem nas boxes para tentar contornar a elevada degradação dos pneus, mas a estratégia relegou-o para o quarto lugar.
Com este desfecho, Antonelli reforça de forma significativa a sua vantagem no campeonato de pilotos, quando faltam disputar dez provas até ao final da época.

