A Waymo apresenta os melhores valores de segurança analisados.

Robotáxis: Estudo independente revela que condução autónoma é muito mais segura do que condutores humanos

Waymo lidera redução de sinistralidade com menos 68% de acidentes, enquanto setor acelera transição para veículos sem volante no meio de forte escrutínio regulatório.
A Waymo apresenta os melhores valores de segurança analisados.Waymo
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A mobilidade autónoma atingiu um ponto de viragem no debate sobre a segurança viária. Segundo um relatório detalhado do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), organização independente e sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, a frota de robotáxis da Waymo registou uma taxa de sinistralidade drasticamente inferior à dos condutores humanos nas cidades onde opera, nomeadamente Phoenix, Los Angeles, São Francisco e Austin.

Ao analisar dados acumulados em mais de 80 milhões de quilómetros percorridos em modo 100% autónomo (Nível 4 de condução autónoma), o organismo concluiu que os veículos da subsidiária da Alphabet envolveram-se em menos 68% de acidentes reportáveis à polícia por quilómetro percorrido do que a média dos condutores humanos.

A Waymo, entretanto, já ultrapassou os 354 milhões de quilómetros de circulação totalmente autónoma desde o início das operações, segundo dados da empresa.

Redução drástica nos incidentes mais graves

A análise detalhada revela que a tecnologia sem condutor é particularmente eficaz na prevenção das colisões mais severas, diz o IIHS. Nos acidentes de veículo único, que incluem despistes e embates em obstáculos fixos, registou-se uma queda expressiva de 85%. O cenário é igualmente animador no que toca a colisões com feridos, com uma redução entre os 81% e os 82%, ultrapassando os 90% de descida nos incidentes considerados críticos, de acordo com o cruzamento de dados com a resseguradora Swiss Re.

A proteção dos utilizadores mais vulneráveis da via pública destaca-se também entre os resultados: a ocorrência de atropelamentos de peões e ciclistas desceu mais de 80%, enquanto as colisões em interseções urbanas registaram um decréscimo drástico de até 96%.

Para garantir uma comparação equitativa — dado que os robotáxis registam automaticamente qualquer contacto físico, ao passo que os humanos omitem frequentemente incidentes menores —, o IIHS isolou apenas as ocorrências com elevada probabilidade de notificação à polícia. A variação geográfica mostrou que Phoenix liderou a diminuição de acidentes com uma queda de 76%, enquanto São Francisco registou uma redução de 35%.

Na concorrência: Cruise, Zoox e Baidu

Apesar da liderança demonstrada pela Waymo na validação estatística e na distância acumulada sem condutor ao volante, o restante ecossistema do setor enfrenta realidades bastante heterogéneas.

A Cruise, subsidiária da General Motors, chegou a acumular cerca de 14,5 milhões de quilómetros autónomos com métricas que apontavam para uma redução de 65% nas colisões, mas viu a sua licença suspensa na Califórnia no final de 2023 na sequência de um atropelamento grave de uma peã. A empresa refez os seus protocolos internos, retomou a rodagem com supervisores humanos e prepara agora o regresso comercial em colaboração com plataformas como a Uber.

Em contraste, a Zoox, propriedade da Amazon, optou por uma estratégia diferenciada ao desenvolver de raiz um veículo totalmente bidirecional, privado de volante e de pedais. A operar em perímetros urbanos delimitados em Las Vegas e São Francisco, a tecnológica não apresenta registo de acidentes graves, embora esteja a ser acompanhada de perto pela autoridade de segurança rodoviária norte-americana (NHTSA) devido a ocorrências pontuais de travagens bruscas injustificadas.

No mercado asiático, a Baidu Apollo consolida a sua posição de líder global em volume nas metrópoles chinesas, com um acumulado superior a 100 milhões de quilómetros percorridos. Embora os relatórios internos da empresa apontem para taxas de sinistralidade muito inferiores às dos condutores humanos locais, os números carecem ainda de validação direta por parte de entidades auditoras ocidentais.

A aposta da Tesla e a transição para o Cybercab

A transição tecnológica para frotas totalmente desprovidas de controlos manuais ganhou uma nova dimensão com o anúncio do Cybercab da Tesla. Revelado em finais de 2024 como um veículo elétrico de dois lugares concebido exclusivamente para operar como robotáxi — sem volante, pedais ou retrovisores —, o modelo encontra-se em fase de ramp-up industrial na Gigafactory de Austin.

Até à data, a maior parte dos dados de segurança divulgados pela Tesla diz respeito ao sistema Full Self-Driving (FSD) instalado em veículos de produção (Model 3, Model Y e Cybertruck). No entanto, este sistema enquadra-se no Nível 2 de autonomia, exigindo supervisão humana contínua e impedindo a comparação direta com os sistemas de Nível 4 da Waymo.

Para colocar o Cybercab em circulação comercial sem supervisão, a Tesla procura obter as devidas isenções regulatórias junto da NHTSA, ao mesmo tempo que expande os testes do seu serviço autónomo em circuitos urbanos delimitados no Texas e na Califórnia.

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