Os dois modelos RMCR da Ahrley-Davidson: o dos Anos 1970 (mais atrás) e 'concept' (modelo único) desenvolvido agora.

Harley-Davidson RMCR e RMXR: o regresso esperado de uma mítica ‘Café Racer’?

Meio século depois, as motos criadas para as corridas dos roqueiros em Londres, continuam ter grande procura pelos 'motards' do século XXI.
Os dois modelos RMCR da Ahrley-Davidson: o dos Anos 1970 (mais atrás) e 'concept' (modelo único) desenvolvido agora. FOTO: Harley-Davidson
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A Harley-Davidson registou as marcas RMCR e RMXR, reacendendo rumores sobre uma nova Café Racer, mais de 50 anos após o icónico modelo XLCR marcar a história da marca americana.

Segundo dados divulgados recentemente através de documentos do Instituto de Patentes e Marcas dos Estados Unidos e reportadas esta quinta e sexta-feira, 30 e 31 de julho, por meios como o Motorcycle.com e a Visordown, a Harley-Davidson deu um passo significativo que aponta para a possível expansão da sua gama para um segmento nostálgico e muito apreciado.

A designação "RMCR" é vista por especialistas como uma abreviatura direta para "Revolution Max Café Racer". A combinação com a plataforma Revolution Max – já utilizada em modelos como a Sportster S e a Nightster – permitiria à marca criar uma máquina com desempenho moderno e estética clássica. Este conceito já tinha sido vislumbrado em fevereiro, no Mama Tried Motorcycle Show em Milwaukee, onde a marca revelou um protótipo oficial "1 of 1" – isto é, um modelo único.

A reação foi imediata e o vídeo da apresentação tornou-se viral, consolidando o desejo dos fãs por uma Café Racer moderna.

O registo de "RMXR" sugere, igualmente, uma variante ou um projeto paralelo, mantendo os entusiastas em alerta máximo quanto aos próximos passos da marca de Milwaukee.

O contexto de mercado

Embora o registo de uma marca não garanta a produção imediata, é um indicador claro da direção da Harley-Davidson. O modelo XLCR 1000, de 1977, continua a ser a referência. O recente registo oficial, meses após o sucesso viral do concept, reforça a teoria de que o projeto evoluiu de um exercício de design para um possível modelo de produção.

A estratégia da marca passa pela diversificação para conquistar um público mais jovem e urbano. Uma Café Racer que combine a herança estética da marca com a performance contemporânea dos motores de refrigeração líquida seria uma adição estratégica de alto impacto ao catálogo atual. Este equilíbrio entre o visual retro e a fiabilidade moderna é precisamente o que o motociclista procura hoje, tornando esta aposta num trunfo fundamental.

Resta agora aguardar pelos comunicados oficiais. Se os planos avançarem, poderemos estar prestes a ver o renascimento de uma lenda urbana, adaptada aos tempos modernos.

O que é uma Café Racer?

Para quem não estiver habituado a estas denominações do mundo do motociclismo, uma Café Racer é uma moto leve e potente com um estilo clássico dos anos 1960. O objetivo era andar depressa em curtas distâncias, entre cafés.

É um estilo de moto que teve origem na Inglaterra nos anos 1960, quando os jovens roqueiros modificavam motos normais para alcançar rapidamente, em corridas, o próximo café.

As Café Racers têm, por norma, o guiador baixo, para o condutor ir deitado sobre o depósito de combustível, que é tradicionalmente longo, estreito e em metal polido ou com riscas, para lhe dar uma configuração mais aerodinâmica, contribuindo também para esta fisionomia o assento monolugar, curto e com a traseira em forma de "lombo de vespa".

Para garantir uma condução mais desportiva e rápida, as Café Racers eram despojadas de quaisquer peças inúteis e os apoios dos pés eram mais recuados do que os das motos convencionais.

Um batismo de despeito

O nome que este modelo típico manteve até hoje, advém das corridas clandestinas que se faziam entre os cafés em Inglaterra há cerca de meio século.

Nos anos 1960, os jovens motards, fãs do Rock 'n' Roll – e, por isso apelidados de Rockers – reuniam-se em cafés de estrada, como o Ace Cafe em Londres.

O desafio mais frequentemente lançado entre os ases do "guiador" era pôr uma música a tocar na juke-box do café, arrancar de moto, fazer um percurso combinado e voltar antes de a música acabar.

Para vencer o tempo da música, era necessário de atingir, por norma, as 100 milhas por hora (cerca de 160 km/h), ao que se chamava "the ton".

O maior insulto que se lhes podia lançar, as estes jovens corredores com motociclos, era dizer que não eram pilotos reais. E a oportunidade nunca era perdida por parte, sobretudo, dos camionistas de gozarem com os jovens motards adeptos das velocidades que não se cansavam de anunciar que não passavam de "corredores de café" – Café Racers.

Com o bom humor britânico e da juventude, no entanto, os jovens gostaram do nome e adotaram-no com orgulho para si, inicialmente, e para a sua máquina de eleição depois.

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