Chinesa Pony.ai e Uber vão lançar 2000 robotáxis na Europa
A tecnológica chinesa Pony.ai e a plataforma global de mobilidade Uber criaram uma parceria estratégica para pôr em circulação mais de dois mil robotáxis em várias cidades europeias ao longo dos próximos anos. A operação conjunta terá como destinos prioritários a Alemanha e a França, integrando a tecnologia de condução autónoma da empresa asiática na infraestrutura logística da gigante norte-americana, num modelo desenhado para escalar frotas comerciais sem condutor e antecipar a transformação dos transportes urbanos no espaço comunitário.
O destacamento desta frota assenta num modelo operacional tripartido, de acordo com dados avançados ao mercado em comunicados oficiais das duas empresas e divulgados pela publicação especializada NewMobility e agência Reuters. A Pony.ai assume o fornecimento do software de condução inteligente e do conjunto de sensores, a Uber assegura a gestão da procura, pagamentos e apoio ao passageiro através da sua aplicação, enquanto parceiros locais de frotas ficam responsáveis pelas estações de carregamento, licenciamento e manutenção diária dos veículos.
Esta expansão surge na esteira de ensaios comerciais pioneiros em Zagrebe, na Croácia, alargando agora a sua presença aos principais centros económicos europeus.
No centro deste anúncio está a colocação em prática de sistemas com condução autónoma de Nível 4, segundo a escala internacional estabelecida pela Sociedade de Engenheiros Automóveis (SAE). Na prática, este patamar técnico classifica veículos capazes de realizar todas as funções críticas de condução, interpretar o tráfego em tempo real e responder a cenários imprevistos sem qualquer supervisão ou intervenção humana ao volante.
A circulação é circunscrita a zonas operacionais delimitadas e previamente cartografadas (geofenced), cabendo ao computador de bordo a responsabilidade jurídica e operacional integral pela segurança de passageiros e peões ao longo de todo o percurso.
A escolha da Alemanha e da França como destinos prioritários justifica-se por serem os países com a legislação mais avançada para a condução autónoma. A Alemanha foi pioneira ao criar um enquadramento legal que permite a operação regular de veículos de Nível 4 em vias públicas, enquanto as autoridades francesas e a União Europeia têm vindo a definir as regras de aprovação e segurança necessárias.
Análises publicadas pela plataforma europeia Tech.eu destacam que a entrada em larga escala desta aliança sino-americana coloca pressão competitiva adicional sobre a indústria automóvel tradicional europeia e acelera o calendário de transição para serviços de transporte partilhado descarbonizados e automatizados.
A movimentação da Pony.ai e da Uber representa também um desafio direto à Waymo, a subsidiária da Alphabet – empresa-mãe da Google – considerada a referência histórica da condução autónoma nos Estados Unidos. Embora ambas partilhem a aposta no Nível 4 com redundância rigorosa de sensores LiDAR, radares e câmaras de 360 graus, divergem na sua matriz industrial: a Waymo desenvolve e fabrica internamente os seus próprios sensores e computadores com arquitetura proprietária, enquanto a Pony.ai privilegia soluções modulares de mercado integradas com processadores NVIDIA DRIVE Orin e adaptadas a linhas de montagem de grandes construtores.
E é um desafio direto porque a resposta da Waymo se encontra já em marcha na Europa, tendo o Reino Unido como principal ponta de lança. A empresa do universo Google já iniciou testes técnicos com modelos elétricos Jaguar I-PACE nas ruas de Londres e prepara a disponibilização de serviços comerciais para passageiros em parceria com a gestora de frotas Moove.
Simultaneamente, a tecnológica norte-americana procedeu ao registo de entidades legais em capitais da União Europeia, incluindo Paris, Amesterdão e Madrid – esta última através da filial Waymo Iberia, com vista ao enquadramento em Espanha e Portugal –, antecipando um confronto de modelos e tecnologias que promete marcar a mobilidade urbana europeia na próxima década.

