E já que estamos em registo italiano (aquele TR3 de “La Dolce Vita” até que já podia ter uma nacionalidade latina, vá…) olhemos para um dos dados mais marcantes dessa identidade: os scudettidas marcas transalpinas. Navegar por estes logotipos é entender essa relação visceral que os seus criadores tinham com o automóvel, que se manifesta ainda hoje em verdadeiras obras primas da heráldica. Autênticos brasões de armas, transmitem valores, vincam a individualidade ou, pura e simplesmente, escondem histórias únicas. Podia citar o exemplo da Ferrari (mas o Motor24 já o faz aqui…), ou as alusões astrológicas do Escorpião de Carlo Abarth ou do Touro de Ferruccio Lamborghini, porém detenho-me por agora no scudettoda Alfa Romeo, um dos que encerra mais mensagens por milímetro quadrado. E dos mais bonitos também.
A explicação mais recente que encontrei é a que foi dada ao site Jalopnik pelo Automobilismo Storico Alfa Romeoe que vale a pena pelo detalhe: “À esquerda, a cruz vermelha sob fundo branco representa o símbolo de Milão, a cidade natal da Alfa Romeo. À direita encontramos o símbolo de uma das famílias mais importantes da história de Milão (e de Itália), a família Visconti – que governou Milão. Existem muitas lendas sobre as origens deste símbolo heráldico, representando um animal mitológico com um ser humano na boca (alguns acreditam que é um dragão, mas provavelmente trata-se de uma cobra). Durante as cruzadas, Otone Visconti, o cavaleiro fundador da família Visconti, venceu um nobre sarraceno (nómada do deserto sírio, na fronteira com o Império Romano) e, seguindo a tradição, tomou os símbolos que este carregava no seu escudo: uma serpente com um homem na boca. À primeira vista, parece que a cobra está a devorar o humano, mas, na realidade, este está a sair da cobra como um “homem novo”, purificado e renovado. O significado: A serpente – animal capaz de se renovar naturalmente ao mudar a sua pele – traduz a mudança e o renascimento.”
A explicação é fantástica – e oficial, note-se! – mas não consigo resistir em pensar que cabe quem nem uma luva numa marca que já morreu e renasceu mais vezes do que aquelas que me consigo lembrar.