Lendas da competição: Mercedes-Benz 300 SL (1955)

Lendas da competição: Mercedes-Benz 300 SL (1955)

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Terminada a Segunda Guerra Mundial a Mercedes-Benz tinha uma crise em mãos. As suas unidades fabris tinham sido destruídas, as suas gamas automóveis estavam envelhecidas e a hipótese de renovação estava seriamente afectada pela diminuição do anterior poderio tecnológico. O primeiro Mercedes-Benz do pós-guerra foi o renovado 170S apresentado na Feira de Hanover, em Maio de 1949. Dois anos depois, no Frankfurt Motor Show de 1951, a Mercedes-Benz apresentada os modelos 220 e 300, cuja principal inovação era o novo motor de seis cilindros com árvore de cames à cabeça.
Tomando como base os novos motores de seis cilindros, foi com determinação de ferro que os responsáveis pela marca puseram mãos à obra para tentar retomar os êxitos do passado e no espaço de quatro anos apresentavam ao mundo no Salão Internacional de Geneve um dos mais revolucionários e marcantes desportivos de todos os tempos: o 300 SL de 1954.
Mesmo sendo o 300 SL um verdadeiro desportivo, obteve um interessante resultado comercial e, em 1955, um ano após o início da sua comercialização, a Mercedes-Benz comemorava a venda do milésimo 300 SL. Em Portugal as vendas do super-desportivo da Mercedes-Benz também correram bastante bem, com a marca alemã a comercializar entre Fevereiro de 1955 e Dezembro de 1959, 18 carros, muitos deles com destino à competição. De facto, embora o 300 SL fosse, em primeiro lugar, um carro para uso quotidiano não deixava de ter nas suas raízes uma fortíssima componente desportiva, tendo o modelo de competição vencido as 24 Horas de Le Mans de 1952, pelas mãos de Hermann Lang e Fritz Rieb, e também a Carrera Panamericana, com Karl Kling ao volante.
A começar pela motorização, baptizada internamente de M194, que havia sido trabalhada pelo departamento de competição da marca e equipada com a nova injecção de combustível Bosch. Como o motor era demasiadamente alto, a solução encontrada para baixar o centro de gravidade na frente do carro foi deitá-lo num ângulo de 50 graus para a esquerda e equipá-lo com um cárter seco. Esta original inclinação valeu ao motor a alcunha de Schräge Otto, o que significa “Otto deitado”, aludindo a Markus Otto, o inventor do ciclo de quatro tempos no motor de combustão interna.
A imprensa da altura ficou impressionada pelas soluções utilizadas na construção do chassis do 300 SL. Tomando a sua inspiração em alguns desenhos aeronáuticos, os engenheiros da Mercedes-Benz equiparam o novo desportivo com um chassis tubular, constituída por um emaranhado de tubos que servia de estrutura de suporte aos componentes mecânicos e carroçaria.
Uma das suas características mais distintas são as portas que abrem para cima, necessárias devido à excessiva altura do chassis na zona lateral, que impedia a utilização de uma solução tradicional. Imediatamente o 300 SL passou a ser conhecido na Alemanha por Flügelturen (portas-asa), em Inglaterra por Gullwing (asas de gaivota), e em França por Papillon (borboleta).
No início da sua comercialização o 300 SL, modelo W194, podia ser encomendado com várias relações finais de transmissão, sendo que as velocidades máximas variavam consoante a desmultiplicação. Para uma relação de 3.42:1 a velocidade atingida em quarta velocidade era 254 km/h, enquanto que, para a relação mais longa do diferencial de 3.25:1, a velocidade máxima era de 267 km/h. Os primeiros carros, ensaiados por jornalistas, vinham equipados com uma relação final de 3.64:1, proporcionando uma velocidade máxima de 217 km/h. Em contrapartida, a aceleração dos 0 aos 100 km/h era feita em oito segundos. Todos estes números são ainda mais impressionantes se considerarmos que o 300 SL pesava 1.233 quilogramas, sendo capaz de um consumo de combustível bastante razoável de cerca de 15,6 litros a cada 100 quilómetros percorridos.
A experiência da marca na competição automóvel permitiu-lhe equipar o coupé com geometrias de suspensão muito semelhantes às vistas em pista, embora este também fosse o principal defeito do modelo. Na traseira a Mercedes-Benz equipou o novo desportivo com uma geometria de braços oscilantes de pivot central que, nas mãos de pilotos experientes permitia ao 300 SL prestações fabulosas mas, em mãos menos experientes tornava o carro difícil de conduzir.
Este automóvel faz parte da exposição temporária “Lendas da Competição”, patente no Museu do Caramulo até ao dia 18 de Outubro.
Ficha técnica1955 Alemanha 240 CV 6 cilindros 2.996 c.c. 4 velocidades 1.295 Kg 235 a 260 Km/h (consoante o diferencial)
Diário de Notícias
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