Um teste recente realizado nas artérias mais exigentes do centro histórico de Aarhus, na Dinamarca, colocou à prova as capacidades do sistema Full Self-Driving (Supervised) da Tesla num traçado urbano tipicamente europeu.
O percurso de cerca de 21 minutos, divulgado pelo canal robot*irl, levou o veículo elétrico por ruas estreitas em calçada, ladeadas por esplanadas e com forte densidade de ciclistas e peões, zonas onde os automóveis circulam sem prioridade estrita sobre quem se desloca a pé.
Ao longo de todo o trajeto documentado, o condutor não precisou de intervir diretamente sobre o volante ou os pedais. O software foi capaz de gerir cruzamentos complexos com outros veículos em sentido inverso, contornou carrinhos de bebé estacionados à margem da via, aguardou pela passagem de bicicletas antes de iniciar manobras e abrandou perante peões e animais que atravessavam a faixa de rodagem.
Apesar de a trajetória e o controlo dimensional em espaços reduzidos terem sido executados com precisão, a condução revelou um ritmo cauteloso e pequenas hesitações face ao comportamento esperado de um condutor humano. O desempenho não foi perfeito. Ficou marcado por duas falhas, ainda que menores: a omissão do sinal luminoso de mudança de direcção ao desviar-se ligeiramente para a faixa contrária para contornar um obstáculo e uma imobilização excessivamente afastada da linha de paragem num semáforo.
O ensaio demonstra a evolução do reconhecimento de cenários citadinos densos e heterogéneos fora do mercado norte-americano, embora o sistema continue classificado como tecnologia supervisionada, exigindo monitorização constante por parte do condutor.
A transição para níveis superiores de autonomia sem supervisão (eyes-off) na Europa permanece condicionada por prazos de validação regulamentar significativamente mais exigentes do que os vigentes noutras geografias.
De qualquer forma, testes deste género demonstram como os sistemas autónomos baseados em vídeo, como o da Tesla, evoluíram significativamente nos últimos anos, demonstrando uma capacidade até há pouco remetida para as páginas dos livros de ficção científica.