A Uber anunciou esta quinta-feira (6 de agosto) um investimento global massivo de 10 mil milhões de dólares destinado a colocar 120 mil veículos autónomos em circulação nas principais metrópoles mundiais. A decisão assinala a maior ofensiva de sempre da plataforma de transporte na área da condução autónoma, prevendo-se o arranque de serviços comerciais de robotáxi em pelo menos 15 cidades até ao final deste ano, com a meta de alcançar 28 áreas metropolitanas até 2028.
O movimento reflete uma mudança estrutural na visão da CEO Dara Khosrowshahi. Em 2020, em pleno esforço de contenção de custos, a Uber encerrou a sua própria divisão interna de desenvolvimento de condução autónoma. Agora, em vez de investir na criação direta de software e hardware, a empresa posiciona-se como a plataforma agregadora global, ligando a sua base de mais de 200 milhões de utilizadores ativos às tecnologias desenvolvidas por empresas especializadas, incluindo startups do setor de mobilidade.
Segundo a empresa norte-americana, dos 10 mil milhões de dólares orçamentados, a Uber alocará cerca de 7,5 mil milhões de dólares na aquisição, operação e gestão direta das frotas de robotáxis. Os restantes 2,5 mil milhões de dólares serão canalizados para participações societárias (equity) em tecnológicas e fabricantes de veículos elétricos e autónomos, tais como a Wayve, a Lucid Motors, a Rivian, a Zoox (propriedade da Amazon) e a Baidu.
Para sustentar os algoritmos dos seus parceiros, a Uber colocará também centenas de veículos equipados com sensores avançados nas estradas, recolhendo dados de condução em tempo real para otimizar os sistemas de Inteligência Artificial urbana.
Um dos marcos operacionais mais relevantes deste anúncio é a parceria com a startup britânica Wayve. A autoridade de transportes de Londres (Transport for London - TfL) concedeu esta semana as primeiras licenças para o início de testes comerciais com passageiros na capital do Reino Unido.
A frota inicial será composta por 15 veículos Ford Mustang Mach-E modificados com a tecnologia da Wayve, operando com um motorista de segurança ao volante durante esta primeira fase. Alex Kendall, CEO da Wayve, sublinhou que se trata do primeiro licenciamento comercial de tecnologia autónoma no país, antecipando as primeiras viagens abertas ao público em poucas semanas.
Este forte plano de investimento é viabilizado pelos resultados financeiros recorde da empresa. No segundo trimestre de 2026, a Uber gerou um fluxo de caixa livre (free cash flow) sem precedentes, de 2,8 mil milhões de dólares, acumulando 10,1 mil milhões de dólares nos últimos 12 meses.
No entanto, o anúncio foi acolhido com alguma cautela por Wall Street. As ações da Uber registaram uma queda de aproximadamente 5% a 8% após a apresentação dos dados.
Os investidores expressaram apreensão relativamente à magnitude do capital imobilizado em frotas e às perspetivas de rentabilidade por ação a curto prazo, numa altura em que se debate como a transição para robotáxis afetará a margem das operações e o ecossistema tradicional de motoristas.