O sistema aplicado no Tesla: totalmente "aberto" -- para quando está estacionado -- e fechado para quando o carro está a andar. Dart Solar
Motor

O sonho do elétrico que carrega com o sol: Dart Solar promete autonomia com painéis no tejadilho

Empresa californiana desenvolveu estrutura retrátil que se instala em qualquer automóvel elétrico, em barras de tejadilho. Prometem até 32km diários de energia gratuita. Mas o conceito levanta dúvidas

Ricardo Simões Ferreira

Era uma questão de tempo até alguém tentar resolver a maior ansiedade dos utilizadores de veículos elétricos com uma promessa sedutora: dispensar por completo os postos de carregamento. A proposta chega da Califórnia pela mão da startup Dart Solar, que apresentou um sistema modular e retrátil de painéis solares para tejadilho, demonstrado no topo de um Tesla, mas concebido para transformar qualquer automóvel elétrico numa unidade de auto-abastecimento, até em movimento.

A ideia de aproveitar a radiação solar para alimentar automóveis elétricos não é nova, mas tem esbarrado historicamente em limites físicos de área útil, peso e custo. A Dart Solar afirma que consegue contornar a questão através de uma estrutura telescópica que se fixa em barras de tejadilho convencionais. Quando recolhido, o sistema tem cerca de 1,5 metros de comprimento, mas pode estender-se até cerca de 4,5 metros sobre a carroçaria, numa operação de abertura ou fecho que a empresa garante demorar escassos 10 segundos.

Em termos de especificações, a empresa anuncia uma capacidade que oscila entre os 500 e os 2000 Watts, dependendo do número de módulos interligados — um esquema de montagem modular que a marca compara a peças de Lego.

Segundo os dados avançados pela Dart Solar, uma configuração base de 500W é capaz de gerar entre 2000 e 2500Wh por dia, o que se traduz numa recuperação de cerca de 32 quilómetros de autonomia diária em condições ideais de exposição solar.

O método de transferência de energia evita intervenções elétricas profundas no veículo: os painéis solares enviam a eletricidade gerada para uma caixa combinadora alojada nas calhas da estrutura, que por sua vez carrega uma estação de energia portátil.

É a esta bateria intermediária que se liga o carregador normal do automóvel, funcionando na prática como um powerbank de grandes dimensões em fluxo contínuo.

O sistema está pensado para funcionar tanto enquanto o carro está estacionado como em andamento. Quando estacionado, o número de painéis espande-se mais, permitindo um maior número de células fotovoltaicas à luz solar. Quando em andamento, a abertura do painel é reduzida, de forma a que este não ultrapasse os limites do tejadilho carro, sacrificando assim o output potencial de energia por uma questão de segurança.

Resta saber até que ponto a promessa se realiza no quotidiano real. Embora o apelo de recuperar energia a custo zero enquanto o carro circula ou fica estacionado ao sol seja inegável, a adição de uma estrutura volumosa no tejadilho penaliza o coeficiente aerodinâmico (Cx) da viatura, um elemento que os fabricantes têm particularmente em conta na conceção dos carros elétricos precisamente para otimizar a autonomia. Isto já para não falar na alteração estética que tal alteração significa no automóvel.