A Honda Motor Co. alterou de forma radical o seu modelo histórico de engenharia ao encomendar à empresa indiana Tata Technologies o desenvolvimento integral de uma nova plataforma modular de veículos. A informação, avançada pela Bloomberg, assinala a primeira vez em 78 anos de história que o construtor nipónico confia a conceção de uma arquitetura base completa a uma entidade externa sediada na Índia.
A decisão surge num momento crucial de reestruturação para a Honda. Após ter contabilizado o seu primeiro prejuízo operacional anual desde a fundação, em 1948, motivado pelo ajustamento nos investimentos em mobilidade elétrica e pelo cancelamento de programas de veículos elétricos na América do Norte, a liderança da marca definiu uma nova estratégia operacional denominada "Triple Half". Este plano estabelece como meta central a redução para metade dos custos de desenvolvimento, do tempo de execução dos projetos e da carga de trabalho de engenharia face aos níveis registados em 2025.
Para atingir estes objetivos, a empresa decidiu abandonar a dependência exclusiva da engenharia interna, recorrendo à eficiência e à capacidade técnica de parceiros internacionais especializados.
Segundo os dados recolhidos pela Bloomberg, a nova plataforma projetada pela Tata Technologies destaca-se pela sua arquitetura multi-propulsão altamente flexível. A base servirá para vários modelos da marca japonesa e estará capacitada para acolher motores a combustão interna convencionais, sistemas de propulsão híbrida de nova geração e conjuntos 100% elétricos alimentados por bateria.
A aliança estabelecida diz respeito exclusivamente à prestação de serviços globais de engenharia da Tata Technologies, tratando-se do desenvolvimento de uma plataforma original concebida segundo os padrões e especificações da marca japonesa, sem qualquer ligação ao catálogo de produtos da fabricante automóvel Tata Motors.
De acordo com as análises divulgadas pela Automotive News Europe, embora as empresas não tenham detalhado formalmente a lista de países de destino para os novos automóveis, a expetativa do setor é de que a nova arquitetura venha a reforçar a oferta da Honda na Ásia e em mercados emergentes já a partir da segunda metade desta década. A medida visa recuperar quota de mercado e responder com maior competitividade à pressão dos construtores chineses, consolidando a ascensão da Índia como um polo de referência mundial na engenharia automóvel.