A fábrica da Stellantis em Cassino, situada no centro de Itália, enfrenta uma das crises operacionais mais severas da sua história. Durante o primeiro semestre de 2026, saíram da linha de montagem apenas 6700 veículos — um número dramaticamente abaixo da capacidade nominal da instalação, dimensionada para produzir até 300.000 automóveis por ano.
Significam estes números que a fábrica está a funcionar a escassos 4,5% da sua capacidade semestral e o grupo automóvel multinacional está agora a equacionar uma parceria industrial com construtores chineses para resgatar a unidade.
Atualmente, o complexo de Cassino é responsável pelo fabrico dos modelos Alfa Romeo Giulia, Alfa Romeo Stelvio e Maserati Grecale. Contudo, a quebra nas vendas globais destes três veículos premium deixou a fábrica sem volume suficiente para sustentar os seus custos fixos. Como consequência, os cerca de 2200 trabalhadores estão a ser convocados para trabalhar apenas escassos dias por mês, cumprindo o restante período em regime de paragem técnica.
Para preencher a capacidade produtiva e travar os prejuízos, a direção da Stellantis estuda a introdução de modelos de parceiros chineses nas suas linhas de montagem europeias, assumem os próprios executivos da Stellantis.
As opções mais fortes em análise envolvem a Leapmotor — cuja operação internacional é maioritariamente detida pela Stellantis (51%) — e a Dongfeng, parceira de longa data do grupo.
Emanuele Cappellano, responsável pelas operações da Stellantis na Europa, sublinhou já, à imprensa especializada europeia, que integrar marcas chinesas no dispositivo fabril europeu representa uma oportunidade para recuperar volume e crescimento na região. O gestor garantiu que uma decisão sobre o futuro de Cassino terá de ser tomada até ao final do ano.
Perante o cenário de crise, surgiram já rumores em blogues e outras publicações online sobre a alienação da Maserati, prontamente desmentidos pela administração. Mas o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, confirmou perante o Parlamento italiano que a marca do tridente não está à venda e que o seu futuro plano estratégico será apresentado antes do fecho de 2026.
A estratégia em equação passará assim por utilizar a produção de veículos chineses para diluir os custos fixos da fábrica, mantendo simultaneamente a montagem das futuras gerações da Alfa Romeo e da Maserati em solo italiano.