Elon Musk reforça que a aposta da Tesla em sistemas próximos da visão humana foi a acertada. Arquivo DN
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Elon Musk usa recuo da Volvo para revalidar aposta da Tesla na visão estilo humano por computador

Após o cancelamento dos sensores no construtor sueco, o líder da Tesla reitera que os carros robóticos devem replicar a visão humana e classifica o LiDAR como uma opção errada.

Ricardo Simões Ferreira

A decisão da Volvo de abandonar os sensores LiDAR nos seus modelos elétricos topo de gama EX90 e ES90 reabriu o debate sobre a arquitetura tecnológica mais adequada para alcançar a condução autónoma. Para Elon Musk, o desfecho do caso do construtor sueco representa a confirmação de uma tese que defende há vários anos.

Através da rede social X, o diretor executivo da Tesla reagiu diretamente ao caso, lembrando que já tinha alertado o setor para a inviabilidade dessa solução. "Tentei avisá-los. Os humanos conduzem usando redes neuronais e sensores óticos. O mesmo é verdade para os carros robóticos", declarou o empresário.

A tomada de posição surge na sequência do cancelamento da parceria entre a Volvo e a fornecedora Luminar, decorrente do processo de insolvência desta última. O cenário forçou a marca a desativar as funcionalidades associadas ao LiDAR e a compensar financeiramente os proprietários dos veículos afetados.

Desde a introdução do sistema Tesla Vision, o empresário tem mantido uma postura abertamente crítica em relação à tecnologia de varrimento laser. No passado, Musk chegou mesmo a classificar o LiDAR como "uma tarefa de tolos" e "uma tecnologia cara e desnecessária", argumentando que a combinação de múltiplos tipos de sensores introduz contradições na recolha de dados e adiciona uma complexidade de processamento dispensável ao sistema do veículo.

O argumento central do ecossistema da Tesla assenta num paralelo direto com a biologia humana. "O sistema visual humano é extremamente capaz. Toda a nossa infraestrutura rodoviária foi concebida para ser navegada por olhos e cérebros", sublinhou Musk em intervenções anteriores sobre o tema, sustentando que os veículos autónomos da marca norte-americana devem operar de forma idêntica, recorrendo a uma rede de câmaras de alta definição associada a algoritmos de aprendizagem profunda.

Ao abdicar de sensores adicionais a favor de uma solução exclusivamente baseada em visão por computador, a Tesla acelerou o treino dos seus algoritmos através da recolha de dados de condução em contexto real, mantendo simultaneamente os custos de produção mais contidos.

O recuo forçado da Volvo devolve visibilidade à estratégia da Tesla num momento em que o setor automóvel reavalia a viabilidade económica e técnica das diferentes abordagens à condução autónoma. A reação do líder da empresa reforça a convicção de que o desenvolvimento da tecnologia em grande escala dependerá do aperfeiçoamento do software de interpretação visual, em detrimento do aumento de hardware instalado nos automóveis.