O novo X5 é um dos modelos que entra no novo programa. UWE FISCHER / BMW
Motor

Carros de clientes ao serviço da segurança: BMW expande recolha de dados reais na Europa

Nova fase do programa abrange modelos da geração Neue Klasse e utiliza episódios críticos de condução — mediante consentimento — para aperfeiçoar sistemas de assistência via atualizações remotas.

Ricardo Simões Ferreira

A BMW reforçou o seu programa europeu de recolha de dados de imagem em tráfego real, recorrendo aos veículos dos seus clientes para alimentar e aperfeiçoar futuros sistemas de assistência ao condutor e funções de condução parcialmente autónoma.

A iniciativa foca-se na nova vaga tecnológica do construtor alemão, tirando partido das capacidades de processamento e dos sensores instalados nos veículos com arquitetura Neue Klasse.

Ao contrário de uma monitorização contínua, o sistema funciona em circuito fechado e reage apenas a eventos específicos pré-programados. De acordo com o fabricante, a recolha de imagem das câmaras exteriores e de parâmetros de condução (como velocidade, ângulo da direção e trajetória) só é espoletada quando o veículo regista manobras evasivas, travagens a fundo, ativações da travagem autónoma de emergência ou desvios automáticos para evitar colisões em autoestrada.

Nestas situações, o automóvel pode armazenar até um máximo de 120 segundos de imagens do incidente. A marca de Munique justifica a metodologia com os limites dos ensaios em laboratório: simulações e frotas de desenvolvimento internas não conseguem replicar a total imprevisibilidade do tráfego quotidiano, tornando a experiência em estrada aberta num laboratório vivo para o treino de modelos de machine learning.

A participação no programa depende de autorização explícita do proprietário e abrange modelos como os novos iX3 e i3, além da mais recente geração do X5 e da renovação do Série 7.

Para responder às exigências europeias de proteção de privacidade, a marca bávara integrou salvaguardas de privacy by design: o número de chassis (VIN) é eliminado assim que a informação é descarregada para os servidores da BMW, impedindo a rastreabilidade do automóvel.

Adicionalmente, rostos de peões e matrículas de terceiros captados pelas câmaras são ocultados ou desfocados antes de qualquer análise por parte das equipas técnicas de desenvolvimento, garante ainda a BMW.

Com esta estratégia, o fabricante pretende garantir que a evolução tecnológica dos automóveis não estagna à saída da linha de montagem, permitindo que a experiência acumulada por condutores reais regresse a toda a frota através de atualizações remotas (over-the-air).