Classic 350 cc da Royal Enfield. O segredo para o sucesso estrondoso da marca não está em supermotos caríssimas, mas sim na mobilidade acessível e cheia de estilo.  FOTO: DR / Royal Enfield
Motor 24

Moto indiana de que quase ninguém ouviu falar ultrapassa (em muito) vendas das famosas Harley-Davidson e à BMW

Quase anónima no Ocidente, a indiana Royal Enfield deu uma lição ao mercado ao vender 330 mil motos em três meses. O volume esmaga a Harley e a BMW juntas e ameaça a Europa.

Adelaide Cabral

A virtualmente desconhecida (no Ocidente) moto indiana Royal Enfield está a dar uma verdadeira lição de comercialização às marcas mais lendárias do planeta. Em apenas três meses, a construtora indiana vendeu mais de 330 mil motos, atropelando os números anuais dos maiores nomes americanos e europeus.

Ninguém diria ao olhar para o trânsito das nossas cidades, mas a Royal Enfield acaba de assinar um registo impressionante: 330 427 motos vendidas em todo o mundo entre abril e junho - período equivalente ao 1.º trimestre do ano civil indiano. Para ter uma ideia do estrondo destes números, a maioria das marcas ocidentais mais famosas não consegue sequer chegar às 200 mil unidades num ano inteiro.

Em Portugal, a Royal Enfield Classic 350 nova tem um preço base (PVP) que varia entre os 4887€ e os 5087€, consoante a cor e os acabamentos (como as versões em cromado ou mate). A este valor base acrescem habitualmente cerca de 390€ a 395€ relativos às despesas de legalização, homologação e transporte.

A marca indiana é distribuída em Portugal através de uma rede de pontos de venda e concept stores autorizadas. Estes representantes oficiais encontram-se em cidades como Lisboa (em Entrecampos ou na Boa Hora/Ajuda), no Porto (Rua de Faria Guimarães), Leiria, Famalicão ou no Algarve (Olhão) e até nas ilhas (Madeira e Açores).

Perspetiva minguante

Colocando os dados em perspetiva, a mítica Harley-Davidson vende cerca de 150 mil motos por ano a nível global. A alemã BMW Motorrad ronda as 200 mil unidades anuais e a britânica Triumph fica-se pelas 85 mil. Feitas as contas, em apenas 90 dias a Royal Enfield vendeu mais do dobro do que a Harley produz em 12 meses e superou a soma das vendas anuais de duas das maiores referências do Velho Continente.

E se pensa que este fenómeno é exclusivo da Ásia, desengane-se. A Europa tornou-se o grande palco de afirmação da marca. Com a engenharia e o design sediados no centro técnico de Bruntingthorpe, no Reino Unido, a marca indiana já é a segunda mais vendida no segmento de média cilindrada em solo britânico e ganha terreno rapidamente em França, Alemanha, Itália e Espanha.

A relevância do mercado europeu é tanta que foi precisamente aqui que a marca escolheu estrear a Flying Flea C6, o seu primeiro modelo 100% elétrico.

O modelo elétrico da Royal Enfield, a Flying Flea C6.

O segredo para este sucesso estrondoso não está em supermotos caríssimas ou cheias de eletrónica complexa, mas sim na fórmula da mobilidade acessível e cheia de estilo. Modelos com motor de 350cc — como a neoclássica Classic 350, a icónica Bullet, a urbana Hunter e a cruiser Meteor — representaram sozinhos quase 295 mil unidades do total vendido no trimestre, conquistando condutores que procuram uma moto económica, fiável e com personalidade num momento de carteiras mais apertadas.

Para sustentar esta máquina de vendas, que no último ano fiscal ultrapassou a fasquia de 1,23 milhões de veículos entregues, a empresa-mãe Eicher Motors já aprovou a ampliação da sua principal fábrica em Cheyyar, na Índia. O objetivo é elevar a capacidade de produção dos 1,4 milhões para os 2 milhões de motos por ano, garantindo que este gigante antes "invisível" continue a acelerar nas estradas de todo o mundo.