O SU7, o veículo elétrico da Xiaomi AFP
Motor 24

China compromete-se a exportar menos carros elétricos para a UE

Acordo entre país asiático e União Europeia visa diminuir o défice comercial do bloco comunitário.

David Pereira

A China comprometeu-se com a União Europeia a exportar menos carros elétricos e híbridos para a Europa, no culminar de meses de negociações para diminuir o déficit comercial da UE com o pais asiático.

“Chegámos a um entendimento comum para moderar a exportação chinesa de veículos híbridos e híbridos plug-in para a União Europeia. Isto abre a perspetiva de reduzir a exportação da China em mais de metade. Provavelmente já viram que houve uma reação positiva por parte da indústria automóvel na Europa. Pelas afirmações, vejo claramente que o acordo que alcançámos supera as expectativas”, afirmou esta sexta-feira . comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic.

Entre os resultados do acordo está também a continuação da facilitação das licenças de exportação de terras raras e ímanes permanentes para a Europa através de um “canal verde” chinês.

Segundo Sefcovic, o mecanismo deverá aumentar a transparência e a previsibilidade numa cadeia de abastecimento essencial para a indústria europeia.

Também será melhorado "o acesso ao mercado chinês para uma série de produtos da UE". "Estes produtos variam desde peças de automóveis a azeite e alimentos totalizando quase 4 mil milhões de euros em valor de exportação atual o que trará pelo menos 225 milhões de euros em poupança fiscal. E também chegámos a um entendimento comum para facilitar ainda mais o licenciamento de exportação da China para terras raras e ímanes permanentes", afirmou o comissário à imprensa, em Pequim, no final de dois dias de reuniões com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao.

Sefcovic considera que ainda há muito a fazer e negociar porque o défice comercial é um enorme desafio para a União Europeia, sentido em todos os estados-membros.

“Dito isto, isto está longe de ser o fim. É um primeiro passo crucial, mas apenas um primeiro passo no processo de reequilíbrio. Gostaria de destacar alguns elementos muito importantes. O primeiro é que, pela primeira vez, a China aceitou moderar as suas exportações sem passar pela fase de tensão comercial anterior, e eu aprecio muito isso”, acrescentou.

Os resultados das conversações serão apresentados aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), que se reúnem na próxima semana, em Bruxelas, cabendo-lhes decidir os próximos passos, acrescentou o responsável europeu.

A UE e a China concordaram ainda em realizar a terceira reunião ministerial das Consultas sobre Comércio e Investimento em março de 2027, estando prevista uma videoconferência em janeiro.